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A decisão que estou tomando é lúcida, decidi sozinho, na plenitude de meu livre-arbítrio. Eu não quero ser encontrado, nem notado, por isso vou me esconder para sempre, numa brecha entre a imaginação dos loucos e a incerteza dos fracos, onde quem for me visitar, jamais voltará para contar histórias. Eu vou para um abismo, onde a unica certeza é o mistério. Já comprei minha passagem de ida, e está em volta de meu pescoço, bem laçada e firme, e ao terminar de escrever esse bilhete escrito por minhas trêmulas e ansiosas mãos, eu saltarei da cadeira, pondo fim a tudo isso. Vou fugir das dores, da angústia. Vou fugir de mim mesmo, que tem sido meu rival mais persistente e incansável. Não tenho certeza se é excesso de coragem ou de temor, não importa. Mas, com certeza, vou rir de tudo isso um dia, seja lá pra onde eu estiver indo.
O efeito dos comprimidos estão se aflorando, meu estômago encolhe, minha língua amarga, e as vezes me falham os sentidos, e não quero que estes sejam o empurrão de minha queda, eles são apenas a saída de emergência, no caso de eu querer olhar para trás quando o caminho já não me permitir voltar atrás, evitando o fracasso de minha morte proposital […] Não culparei ninguém pela minha morte, nem pela minha agonia em vida; Meus atos são conduzidos por meus desejos, e o suicídio, é a unica liberdade. Espero que haja noites frias no desconhecido pra onde irei, e que isto atenue minha alma para o resto de tempo que ainda me resta na eternidade. Padeci. Perdi a guerra contra a vida em busca de viver. Mas nada disso vai importar quando estiverem lendo esse carta, eu estarei distante, vagando onde não existe preocupação, onde eu não preciso medir as consequências de meus medos. Não me importarei com nada, e ninguém. Para o alívio de quem deixei, eu não voltarei. Para o desespero de quem jogará flores úmidas de lágimas no meu túmulo, eu não voltarei. Nunca mais. Nunca!
Eu sempre odiei despedidas, e não mudaria hoje, estou ficando fraco, e minhas vistas estão se ofuscando. Os gritos inflamáveis dentro de minha mente calam qualquer voz que me fizesse mudar de ideia, então, é isso, darei fim ao que nunca realmente existiu, deixo a vida que jamais viveu, sonharei o sonho de qualquer um que vivesse o meu pesadelo. Espero nunca morrer também nas memórias de quem amei; Abraço a morte aqui, e agora, para ver-me livre de meus demônios assombrantes. Adeus…
Anndré, (PdM) - Talvez seja apenas mais uma carta de suicídio não lida. (via prisioneiro-da-morte)

“Era como se eu estivesse submersa, me afogando em um poço sem saída. Eu já não tinha como ir para frente, nem regredir, não tinha como virar a esquerda ou a direita, não tinha caminhos a seguir. Já estava morta por dentro e sabia disso a muito tempo, afinal, o meu coração só batia para não fazer mais uma de minhas vontades… partir. Nada mais fazia sentido e eu não queria mais existir, isso era outra coisa sem nexo algum para mim. Sufocada com meu próprio ar, não aguentaria suportar tantos vazios, tantas saudades, tantas amarguras e mágoas. Queria ser livre como o vento, ter minhas próprias escolhas, mas não tinha nem se quer o direito de opinar, de me expressar. E agora tiraria o meu direito de viver. Tantas vezes me fizeram feliz, mas alegria de coração bobo dura pouco e logo tudo o que sentia era tirado de mim. Já estava cansada de estraçalharem meu coração e sempre depender de alguém para consertá-lo. Fui uma pobre covarde e sem pensar em mim, me neguei a vida, pois já estava tão longe das poucas pessoas que me faziam bem, e de repente a morte se tornou minha única aliada. Não tive coragem pra tentar reagir e fugir de todos aqueles maus pensamentos que me bombardeavam a todo instante, não tinha mais controle sobre minha mente e sobre meu corpo que queria torturar a ele mesmo. Era como se minha vida não pertencesse mais a mim e agora ela estava entregue aos nevoeiros de uma pequena estrada de partida que não sei pra onde me levaria, mas que seria pra bem longe daqui. Nunca pensei que seria assim, quando precisei temer, não temi e medo da morte eu não senti, ele não fazia parte de mim. Parecia tão fácil, bem mais do que viver em um mundo comandado por razões perversas de pessoas que não sabem amar, e, na verdade, eu também não sabia… não me amei e entreguei minha própria alma. Apenas mais um corte seria fatal, eu já havia percebido, apesar de não estar nada fraca, era tanto êxtase que aquilo já havia se tornado um vício, o qual não conseguiria me libertar antes de um ultimo suspiro. A dor me consumia e eu não conseguia parar, era um enorme prazer, um capricho meu que me proporcionava tanto alivio. Era tanto ódio que nem percebi o quão masoquista eu teria me tornado. O sangue escorria e eu apenas sorria com plena satisfação, era como se de alguma forma, tudo aquilo me fizesse bem. A morte seria mais um bem, algo a mais para a minha satisfação, ou apenas, algo não pensando. Dessa vez eu não falhei. Não pesei o quando eu valia e não me importei com as pessoas ao meu redor, aliás eu sempre pensei que elas nunca se importariam comigo e agora todos iriam sofrer por me ver partir sem poderem fazer nada para impedir, com toda aquela culpa maldita que iriam sentir. Era surreal aquela sensação de poder, eu tinha uma vida em mãos, mas não era qualquer uma e sim a minha. E finalmente acabei com ela. Não sei se foi um alivio, não sei o que estava por vir, não sei o que deixei de viver, mas foi assim que preferi partir. Se eu fosse forte, teria aguentado viver, mas era um fardo muito pesado pra quem não aguentava sofrer e talvez esses sofrimentos eram tão fracos, mas infelizmente eu não era nada, uma fraca qualquer. A dor me preencheu e tomou conta de tudo em mim, me afoguei naquele poço de amarguras… foi a única saída que encontrei. Agora minhas veias não pulsam mais, os meus olhos estão fechados, a angústia finalmente acabou, o meu coração parou e eu parei de sentir. Meu único preço a pagar por isso foi a dúvida do que deixei pra trás, se as coisas iriam melhorar. Hoje descanso com a incerteza de que tive paz, ou se a iria encontrar nos caminhos da vida que deixei de trilhar. Nunca vou saber se a morte foi a minha melhor escolha, se eu realmente deveria ter interrompido meu percurso sem ter chances de voltar e sonhar.”
— Kawanny Eskildsen  (CdD), Carta de Suicídio. (via compositora-da-dor)

“Prefiro escrever uma frase que ninguém entenda do que compartilhar sentimentos que não existem.”

“A gente costuma achar que o mundo inteiro pensa da mesma forma que a gente. A gente costuma achar que somos amados pelos mesmos motivos pelos quais amamos. A gente ama e, inconscientemente, encomenda um amor igual. O que nos bate a porta não é menor, não é pior, é diferente. É o amor que um outro alguém construiu, esperando receber em troca um espelho do que sentia.”
Beeshop.  (via sociedadedospoetasmortos)




“Eu tinha apenas 16, e já achava que sabia demais. Tudo que eu tinha era um quarto, e o dinheiro dos meus pais, e alguns amigos que, cabiam numa mão.”
Fresno  (via sociedadedospoetasmortos)


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